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Pele de Tilápia: da piscicultura para a medicina

3 de ago.
3 min de leitura

Atualizado: 4 de ago.


O Brasil é referência mundial em pesquisas envolvendo o uso medicinal da pele de tilápia (Oreochromis niloticus) no tratamento de queimaduras. O material, que antes era descartado pela indústria pesqueira, passou a ser estudado como um curativo biológico devido às suas características estruturais e biológicas.

Após um rigoroso processo de limpeza, esterilização e conservação, a pele de tilápia pode ser aplicada sobre queimaduras superficiais e de espessura parcial, funcionando como uma cobertura temporária da lesão.



Por que a pele de tilápia é utilizada?


A pele da tilápia apresenta características muito semelhantes às da pele humana, especialmente pela elevada concentração de colágeno tipo I.

Entre suas principais vantagens destacam-se:

  • Elevado teor de colágeno;

  • Boa resistência mecânica;

  • Excelente aderência ao leito da queimadura;

  • Manutenção da umidade da ferida;

  • Barreira física contra contaminação;

  • Redução da perda de líquidos.


Essas propriedades favorecem um ambiente adequado para o processo de cicatrização.


Pele Tilápia esterelizada
Pele Tilápia esterelizada

Benefícios para o paciente

Estudos clínicos demonstram que o uso da pele de tilápia pode proporcionar diversos benefícios, como:

✅ Redução da dor durante o tratamento;

✅ Menor necessidade de trocas frequentes de curativos;

✅ Maior conforto para o paciente;

✅ Proteção contra infecções secundárias;

✅ Cicatrização eficiente em queimaduras de segundo grau superficial e parcial.

Além disso, a diminuição das trocas de curativos reduz o sofrimento do paciente e otimiza o trabalho da equipe de saúde.


Como funciona o tratamento?


Após a avaliação da queimadura e a limpeza adequada da lesão, a pele de tilápia previamente esterilizada é aplicada diretamente sobre a área afetada.

Ela permanece aderida durante vários dias, funcionando como uma cobertura biológica temporária até que ocorra a regeneração da pele.

Em muitos casos, não há necessidade de substituições frequentes do curativo, desde que a evolução clínica seja satisfatória.


Em quais situações ela pode ser utilizada?


O uso da pele de tilápia é indicado principalmente para:


  • Queimaduras de segundo grau superficial;

  • Queimaduras de espessura parcial;

  • Estudos clínicos envolvendo outras lesões cutâneas (em investigação).

Seu emprego deve ser realizado por profissionais capacitados e dentro de protocolos clínicos específicos.


ANTES e APÓS o tratamento com pele de Tilápia
ANTES e APÓS o tratamento com pele de Tilápia

O papel do farmacêutico e da equipe multiprofissional


Embora a aplicação seja realizada conforme protocolos assistenciais, o farmacêutico desempenha papel importante na segurança do tratamento ao contribuir para:


  • orientação sobre prevenção de infecções;

  • acompanhamento da terapêutica;

  • educação em saúde do paciente;

  • uso racional de medicamentos analgésicos e antimicrobianos quando indicados.

A integração entre médicos, enfermeiros, farmacêuticos e demais profissionais é fundamental para o sucesso da recuperação.


Curiosidade

O desenvolvimento da pele de tilápia como curativo biológico ganhou destaque internacional por meio de pesquisas conduzidas no Brasil, tornando-se um exemplo de inovação em saúde com aproveitamento sustentável de um material anteriormente descartado.


Conclusão

A pele de tilápia representa um importante avanço na medicina regenerativa e no tratamento de queimaduras. Seus resultados demonstram como a pesquisa científica pode transformar um recurso abundante em uma tecnologia capaz de melhorar a qualidade de vida dos pacientes e otimizar a assistência em saúde.



💬 Reflexão

A inovação em saúde muitas vezes surge da capacidade de transformar recursos simples em soluções que salvam vidas e promovem uma recuperação mais humana.

Referências bibliográficas

  1. Alves APNN, et al. The Nile Tilapia Skin as a New Biological Occlusive Dressing for Burn Wounds: A Clinical Study. Journal of Burn Care & Research. 2018.

  2. Lima Júnior EM, et al. Innovative treatment using Nile tilapia skin as a xenograft for superficial partial-thickness burns. Journal of Surgical Case Reports. 2017.

  3. Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ)

  4. Ministério da Saúde

  5. Biblioteca Virtual em Saúde (BVS)

 
 
 

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